28 ANOS – Primeira unidade de ensino do IFRR faz aniversário junto com a instituição superando desafios e ressignificando práticas pedagógicas, na pandemia

por Gildo Sousa dos Santos Junior publicado 28/06/2021 10h05, última modificação 28/06/2021 11h31
Campus Boa Vista desenvolve ações para garantir o acesso e permanência dos alunos no ensino não presencial

O aniversário do Instituto Federal de Roraima (IFRR) se confunde com a data de criação do Campus Boa Vista (CBV). Foi nessa unidade, onde a história da educação profissional em Roraima começou, com a implantação da antiga Escola Técnica Federal (ETFRR), em 1993; depois, com a transformação em Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), em 2000; e, posteriormente, com a transformação em Instituto Federal de Roraima (IFRR), em 2008.

Todos esses marcos históricos da instituição foram vivenciados nos corredores, sempre movimentados, e nas salas de aula, sempre cheias, desta que é a mais antiga e a maior unidade do IFRR, em número de cursos, de alunos e também de servidores. Mas, a pandemia da Covid-19 alterou a intensa rotina das atividades acadêmicas no CBV. Suspenderam-se as aulas e os servidores passaram a trabalhar em home office, e diante dos desafios e do novo cenário de isolamento social, foi necessária a adoção de novas estratégias e metodologias para garantir a continuação das atividades do ensino de forma não presencial, com vistas ao acesso, permanência e êxito de todos os alunos.

Sobre as ações do CBV, a diretora-geral do campus, professora Joseane Cortez, ressalta o desafio da ressignificação das práticas de todos os profissionais envolvidos nesse processo de construção do que atualmente se convencionou chamar de “novo normal”. “Tivemos de nos reinventar, seja mudando a forma de conviver, seja na forma de se comportar no cotidiano de nosso ofício. Nesse sentido, o processo de transformação foi impactante e demandou, de cada um, a ressignificação de sua prática, com atitudes e ações que precisaram ser modificadas ou replanejadas. Certamente, esse aprendizado ainda tem um longo caminho para chegar na qualidade que se espera, no entanto, fica uma avaliação muito interessante em relação ao que se conseguiu alcançar, permitindo de certa forma o comprimento da nossa missão enquanto desenvolvimento das políticas educacionais. Sabemos que ficaram algumas arestas a serem aparadas, mas são frutos de aprendizados que exigiram novas tomadas de decisões e novos aprendizados. A força emanada de cada servidor do Instituto Federal, em particular do CBV, foi determinante para colocar em prática as políticas educacionais e sociais inerentes ao processo educacional que a instituição representa. Mesmo diante dessa realidade, tivemos significativos resultados, considerando o número de estudantes aprovados em processos seletivos, vestibulares e concursos. Além disso, não paramos com as produções científicas e participações em eventos nacionais e até internacionais, mesmo de forma remota, fato que nos motiva a seguir na busca da qualidade, como foco nos ajustes dos processos e ações frente aos desafios de novos tempos”, ressaltou Joseane.

Algumas ações foram de extrema relevância para a viabilização do acesso, permanência e êxito dos estudantes, como o Projeto Alunos conectados, o Plano Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), e as ações de formação de servidores, docentes e técnicos, e de alunos, ofertadas pelo Departamento de Educação a Distância (Dead/CBV).

 

Alunos conectados

Por meio da adesão ao projeto “Alunos Conectados”, o CBV entregou 170 chips aos alunos que corresponderam ao perfil do público-alvo. O projeto consiste no fornecimento e monitoramento de pacote de dados em Serviço Móvel Pessoal (SMP), para alunos em condição de vulnerabilidade socioeconômica, até 1,5 salário de renda per capita familiar, auxílio este suplementado pelo Ministério da Educação (MEC) junto aos Institutos Federais (IFs). O pacote é de 20G mensais.

O objetivo é viabilizar a conectividade a alunos que não tenham renda suficiente para contratar o serviço de banda larga em seus domicílios, disponibilizando pacotes de dados móveis (4G) para que eles tenham acesso aos conteúdos educacionais e às atividades de aprendizagem, oferecidos de forma remota pelas instituições de ensino, no contexto da pandemia da Covid-19.

De acordo com a gestora técnica do projeto no IFRR, professora Maria Aparecida Alves de Medeiros, já foram beneficiados um total de 293 alunos dos Campi CBV, Campus Boa Vista Zona Oeste (CBVZO) e Campus Amajari (CAM), mas este número poderá ser ampliado, até 956 alunos, pois o projeto segue até o final de 2021. “Considerando a necessidade do desenvolvimento de atividades educacionais de forma remota, a doação de chips, para alunos em condição de vulnerabilidade social, contribui com o processo de permanência e êxito. Acredito que seria importante esse auxílio suplementar ser transformado em Políticas Públicas, considerando que o acesso à rede de dados é hoje necessário para o desenvolvimento das atividades educacionais do aluno”, disse.

 

Assistência estudantil

No ano de 2020, por meio do Plano Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), o CBV beneficiou 341 alunos, com o fornecimento de cestas básicas às famílias em situação de vulnerabilidade social. A meta para o ano de 2021 é atender o mesmo número de alunos.

No IFRR, o programa é gerenciado pela Diretoria de Políticas de Assistência Estudantil, setor da Pró-reitoria de Ensino (Proen), juntamente com as coordenações de Assistência ao Estudante (Caes) de cada Campus.

Devido à pandemia e com a suspensão das aulas presenciais, o recurso que antes era concedido como auxílio alimentação, foi convertido para a compra e doação de cestas básicas para os alunos que fazem parte do programa e são atendidos pelo serviço social da Caes/CBV.

O Pnae oferece alimentação escolar e ações de educação alimentar e nutricional a estudantes de todas as etapas da educação básica pública. O objetivo é contribuir para o crescimento e o desenvolvimento biopsicossocial, para a aprendizagem, para o rendimento escolar e para a formação de hábitos alimentares saudáveis dos alunos, por meio de ações de educação alimentar e nutricional e da oferta de refeições que cubram as suas necessidades nutricionais durante o período letivo.

 

Acolhimento e atendimento psicossocial

Devido ao momento de dificuldades enfrentado por boa parte das famílias, e com vistas a criar uma estratégia de acolhimento e atendimento psicossocial, foi disponibilizado um canal de comunicação por meio de e-mail institucional (atendimentocaes@ifrr.edu.br), para que alunos e servidores pudessem agendar atendimento com a equipe multiprofissional da Caes.

Os atendimentos, realizados de forma remota, devido aos protocolos de biossegurança, foram na área médica, serviço social, psicologia, enfermagem e odontologia. Em 2020, 106 alunos foram atendidos pelo serviço de psicologia, 250 alunos pelo serviço médico e 789 alunos foram acompanhados pelo serviço social.

Segundo a coordenadora da Caes, a servidora Michele Fabrício de Souza, além de subsidiar apoio para esclarecimento de dúvidas, orientações e encaminhamentos, os serviços ofertados estimularam a prevenção à saúde e oportunizaram suporte aos transtornos psicológicos e emocionais agravadas pelo isolamento social. “Manter as ações para que nossos alunos e seus familiares se sintam acolhidos nesse momento é fundamental. As ações visam à promoção do bem-estar e saúde de todos, e durante todo esse período de mudanças e dificuldades, buscamos sempre atender e oferecer meios para que nossos alunos pudessem continuar estudando, remotamente, e tivessem mais acessibilidade. Promover esse acolhimento nos ajuda a sair desse momento mais fortalecidos, cumprindo nosso papel enquanto instituição de ensino”, afirmou Michele, ressaltando que as ações de acolhimento são mantidas, inclusive o canal de atendimento pelo e-mail, até que a situação seja normalizada.

 

Educação a distância

A Educação a distância (EAD) é uma das modalidades que mais cresce nos últimos anos, no IFRR. A implementação de políticas de expansão da EAD, que oportunizem a inclusão de pessoas da capital, e principalmente do interior, nos cursos ofertados pelo CBV, tem sido motivo de atenção por parte da equipe gestora do Departamento de Educação a Distância (Dead), que atua com foco na ampliação de cursos e números de vagas.

Na pandemia, a EAD ganhou ainda mais importância, pois tem sido decisiva na oferta de cursos de formação, tanto para os servidores, como para os alunos. As ações mais recentes e de grande impacto nas atividades do ensino não presencial foram os cursos “Capacitação de Servidores para a Utilização e Criação de Salas no Ambiente Virtual de Aprendizagem/Moodle” (60h), por meio do qual foram capacitados 237 servidores, e “Capacitação de Discente para a Utilização do Ambiente Virtual de Aprendizagem/Moodle” (60h), no qual foram capacitados 343 alunos. Ambos os cursos, ofertados em 2020, foram destinados a servidores e alunos de todas as unidades do IFRR.

Um novo curso de capacitação AVA/Moodle está em andamento, com 163 servidores inscritos.

De acordo com o diretor do Dead, professor Tomas Armando Del Pozo Hernandez, o objetivo da ação é aprofundar os conhecimentos técnicos sobre a plataforma para otimizar os serviços oferecidos no ensino não presencial. “Nosso principal objetivo é capacitar os servidores do IFRR para a apropriação de conhecimentos necessários para a atuação docente, em cursos ofertados através de atividades de ensino não presenciais, aprimorando os conhecimentos em relação ao AVA/Moodle, e assessorando sobre as especificidades e organização do material didático nas atividades a distância”, disse.

 

 

Virginia Albuquerque

CCS/Campus Boa Vista

25/06/21