Oficina visou à formação no ensino de Língua Portuguesa para surdos

por Virginia publicado 03/06/2019 14h20, última modificação 12/06/2019 22h34
Trinta e cinco profissionais, de diversas instituições, participaram da formação.

Com foco na execução da política de inclusão no Campus Boa Vista do Instituto Federal de Roraima (CBV-IFRR), o Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Napne) realizou nos dias 30 e 31 de maio, a Oficina de Formação no Ensino de Língua Portuguesa para Surdos.

De acordo com os organizadores, o evento teve como público-alvo as equipes pedagógicas do IFRR, além de professores convidados de universidades e das redes estadual e municipal de ensino que atuam com alunos surdos e/ou que desejam adquirir conhecimento sobre o letramento para esses alunos. Trinta e cinco profissionais participaram da formação.

Formação do professor – Essa formação representou também uma oportunidade para a socialização de experiências no ensino de português como segunda língua para surdos na modalidade escrita. Entre os temas abordados destacam-se as concepções de surdez e linguagem.

A oficina foi ministrada pela professora Joseane dos Santos do Espírito Santo, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). “Esse é um rico momento de trocas de experiências e de saberes. Trouxe uma proposta bem interessante que já é desenvolvida na universidade e que pode perfeitamente ser desenvolvida nos institutos e nas escolas da educação básica, pois adapta-se à realidade de todos os níveis e modalidades”, explicou Joseane.

Ela tem larga experiência no campo da inclusão de surdos. É licenciada em Letras/Libras e coordenadora e professora de vários cursos de extensão de Libras. Trabalhou como docente na Associação Educacional Sons no Silêncio na área de ensino de Libras, alfabetização de surdos e ensino de língua portuguesa como segunda língua para surdos. Tem proficiência em tradução e interpretação da Libras/língua portuguesa/Libras e proficiência no uso da Libras. É também especialista em Libras e mestranda em Letras e Linguísticas.

O diretor de Ensino do CBV, professor Ananias Noronha Filho, destacou o trabalho que já vem sendo realizado pelo Napne com alunos surdos, no campus, duas vezes por semana, por meio de oficinas de letramento, matemática e Libras. Ele também ressaltou a importância da oficina ministrada para o aprimoramento das práticas exitosas. “Para nós, é gratificante poder trabalhar na perspectiva da inclusão e dar uma resposta à sociedade sobre como implementamos essa importante política institucional. Com essas trocas de experiências, construímos caminhos para tentar atender a todos em suas especificidades”, disse.

A servidora técnica da Secretaria Estadual de Educação e Desporto Shirley Gemaque declarou que, desde que conheceu a Língua Brasileira de Sinais, se encantou com a possibilidade de ajudar na comunicação das pessoas surdas. Ela veio participar da oficina porque cursa pós-graduação em Libras. Já conhece o projeto de Letramento desenvolvido pelo Napne/CBV e afirma que participar da oficina foi uma rica oportunidade para ampliar seus conhecimentos. “Quando pude utilizar a Libras pela primeira vez para auxiliar um surdo a se comunicar foi extremamente gratificante. Percebi a importância de nós, ouvintes, nos interessarmos mais para que a inclusão aconteça de fato. Quando nos damos conta dessa importância, procuramos buscar aprender mais, pois não é uma língua tão fácil quanto parece”, comentou.

Shirley fez o curso básico de Libras, depois o avançado, e agora, com a pós-graduação, declara que conseguirá ter mais condições de promover a inclusão dos surdos. “Sinto-me motivada para buscar mais conhecimentos, pois os surdos têm um grande potencial para aprender a língua portuguesa, que é de fundamental importância para que desenvolvam a escrita. Me identifico mais com o campo da docência e, por isso meu interesse em participar dessa oficina, mas a interpretação da Libras também é importante para o professor”, finalizou.

Iolanda Viana da Silva, tradutora e intérprete de Libras da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e professora bilíngue da Prefeitura Municipal de Boa Vista (PMBV), afirma que os conhecimentos e relatos de experiências trazidos pela oficina foram de suma importância para o aprimoramento das práticas desenvolvidas com as pessoas surdas em Roraima. “Participar dessa formação foi gratificante, pois serviu para nos fortalecer no processo de educação de surdos em nosso estado. Além disso, como representante da Associação de Surdos de Roraima, gostaria de parabenizar o IFRR por esta louvável iniciativa de estender essa capacitação para profissionais de outras instituições e também pelo brilhante projeto de letramento que a instituição já desenvolve. A comunidade surda está muito feliz com essa iniciativa, mas que isso possa sensibilizar outros gestores e incentive outras instituições a desenvolver ações semelhantes”, disse Iolanda. 

 

Virginia Albuquerque
Foto: Marcos Ferreira
CCS/Campus Boa Vista
02/06/19