ENSINO REMOTO – Boas práticas promovem o engajamento dos estudantes

por Virginia publicado 12/11/2020 08h55, última modificação 12/11/2020 10h18
Diversos projetos e atividades surgem como soluções inovadoras para encurtar a distância física entre professores e alunos e, ao mesmo tempo, engajar os estudantes para que não percam o interesse pelos estudos.

Os desafios do ensino remoto, que surgiu como alternativa emergencial no contexto da pandemia da Covid-19, têm propiciado o desenvolvimento de várias ações e projetos que reinventam o papel do professor e colocam o aluno de vez como protagonista de sua aprendizagem. No Campus Boa Vista do Instituto Federal de Roraima (CBV/IFRR), diversos projetos e atividades surgem como soluções inovadoras para encurtar a distância física entre professores e alunos e, ao mesmo tempo, engajar os estudantes para que não percam o interesse pelos estudos.

Organização de eventos – Como atividade final da disciplina Noções de Eventos, ministrada pela professora Heloane do Socorro Borges, do curso Técnico em Secretariado subsequente, turma 30721, os alunos organizaram duas palestras: “Dificuldade digital no âmbito profissional”, proferida pela professora Rosimeri Barroso, e “Os recursos tecnológicos na área da educação”, ministrada pelas alunas Adlany Rocha de Oliveira Ferreira e Larissa Samara, nos dias 4 e 5 de novembro, respectivamente. 

Heloane explicou o objetivo e a metodologia do trabalho. “O objetivo da atividade foi propiciar aos alunos a experiência de organizar um evento on-line, via Google Meet, a partir dos conhecimentos obtidos na disciplina e do protagonismo individual por meio de pesquisas sobre o assunto. A turma foi dividida em dois grupos, e eles elaboraram e apresentaram as propostas dos eventos a serem organizados. A partir do planejamento, que definia todas as etapas do evento, os alunos desenvolveram várias competências e habilidades, como trabalhar em equipe, entender as funções de cada pessoa dentro do cerimonial, elaborar roteiro de mestre de cerimônias, melhorar a comunicação, dar e receber feedback, organizar o fluxo das atividades, administrar o tempo, entre outras”, disse.

Segundo a diretora-geral do CBV, professora Joseane Cortez, a instituição vem buscando alternativas para continuar ofertando um ensino de qualidade, mesmo de forma remota. “O momento pelo qual estamos passando nos levou a novos desafios, superações e busca de alternativas de reinvenção de nossa vida e trabalho. Nesse sentido, o IFRR, em particular o CBV, tem desenvolvido as atividades não presenciais a partir de uma contínua formação dos docentes e da equipe gestora para, da melhor forma, superar os obstáculos. Sinto-me agradecida pelo empenho, pelo desejo de aprender e pela busca de alternativas para minimizar esses obstáculos, por meio dos quais, juntos, buscamos possibilidades e oportunidades de aprender, dividir e amenizar este quadro tão difícil que enfrentamos”, explicou.

Para Adlany Rocha de Oliveira Ferreira, aluna do curso Técnico em Secretariado, a disciplina Noções de Eventos agregou valor ao trabalho que ela já desenvolve. “Além da contribuição para o desenvolvimento pessoal, a disciplina promoveu encontros que pautaram o momento atual vivido. A integração entre educação e tecnologia nos fez perceber como progredimos em meio a tantas dificuldades que encontramos no ensino remoto, por exemplo, a dificuldade de acesso a alguns recursos tecnológicos e, principalmente, a falta de protagonismo dos alunos. Precisamos nos responsabilizar, como estudantes e pesquisadores, por nosso conhecimento e entender que fazemos parte dessa construção que é a educação. Tenho certeza de que o conhecimento que adquiri ao cursar a disciplina contribuiu, significativamente, para meu desenvolvimento pessoal e profissional. Sinto-me grata e satisfeita pela oportunidade”, contou.

Gamificação – A utilização de ferramentas do universo dos jogos digitais nas aulas remotas foi uma das estratégias utilizadas pelo professor Orlando Marinho, também do curso Técnico em Secretariado. Foi com a gamificação que o docente percebeu um engajamento maior dos estudantes, pois isso tornou as aulas mais dinâmicas e atrativas. “Além dos conteúdos programáticos do componente curricular, coloquei no Ambiente Virtual de Aprendizagem QR Codes temporários com mensagens ocultas. Esses QR Codes foram chamados de Easter Eggs – termo muito comum em grandes produções de aventuras e super-heróis do cinema –, e continham um desafio proposto ao aluno. Os desafios tinham participação opcional, mas aqueles alunos que participassem concorreriam ao título de “melhor aluno da sala” e a um troféu. A conquista do título e do troféu se dava pelo acúmulo de pontos de acordo com o cumprimento dos desafios espalhados nos Easter Eggs e também de acordo com o acesso aos arquivos postados com os conteúdos das aulas. Os desafios e as perguntas estavam diretamente ligados aos conteúdos postados na sala virtual. Ou seja, o aluno só conseguiria responder ao desafio se tivesse lido ou assistido ao conteúdo postado. As respostas dos desafios eram enviadas pelo WhatsApp e, a cada dois dias, uma tabela com a atualização de um ranking era publicada no AVA para que cada estudante acompanhasse seu desempenho e posição. Esse acompanhamento gerou um maior engajamento e participação”, relatou o professor.

Startup – A 6ª edição da Feira Tecnológica de Startups IFRR foi realizada em formato digital por conta da pandemia. Para o professor Vinícius Tocantins, a edição 2020 da Feira Startup IFRR foi um grande desafio por causa do formato. “O desafio foi transformar as experiências que já eram físicas para o formato virtual. Acreditamos que os resultados foram ótimos: a integração com os empresários e o mundo do trabalho foi alcançada a partir do entendimento que temos da cultura do tripé educação, ciência e tecnologia. Foi uma experiência nova e muito enriquecedora. A cultura de inovação se faz a longo prazo, e estes seis anos de evento mostram que estamos construindo um momento bonito para o IFRR e para Roraima”, disse.

Segundo a estudante do curso Técnico em Informática Alice Aguiar da Silva, a edição digital do Startups foi uma experiência diferente e muito interessante. “O estudo ficou bastante autônomo, mas conseguimos desenvolver o projeto com êxito. Além de termos tido essa nova experiência em formato digital, aprendemos a trabalhar em equipe, apesar das barreiras. Desenvolvemos a ideia e, mesmo não tendo desenvolvido um protótipo para ilustrar a aplicação prática, apresentamos a viabilidade do projeto, caso fosse implementado em termos de linguagem de programação. A ideia central foi criar um sistema que localizasse as farmácias mais próximas do usuário, identificando os preços mais acessíveis, para melhor atender a comunidade”, explicou.

 

Virginia Albuquerque
CCS/Campus Boa Vista
12/11/2020