Obras de professor do Campus Boa Vista retratam a diversidade étnico-racial presente em Roraima

por Virginia publicado 03/12/2021 10h24, última modificação 03/12/2021 10h24
Os retratos produzidos por ele ganham forma por meio de variadas técnicas de pintura, com utilização de tinta acrílica, pincel sobre tela e estêncil sobre papel.

O professor de Artes do Campus Boa Vista (CBV) Leandro Brito tem se destacado no cenário artístico-cultural de Boa Vista por se dedicar a retratar homens e mulheres de diversas etnias e idades. Os retratos produzidos por ele ganham forma por meio de variadas técnicas de pintura, com utilização de tinta acrílica, pincel sobre tela e estêncil sobre papel.

Segundo o docente, o interesse pela pintura surgiu bem cedo, no início da adolescência e, a partir de então, se manteve forte, transformando-o, com o passar dos anos, em um artista. “Eu nasci no Rio de Janeiro e comecei a estudar pintura em uma escola municipal aos 12 anos. Naquele ano, meus professores enviaram uma de minhas pinturas para um concurso internacional em Taiwan. Meu trabalho foi premiado e eu decidi que continuaria a trabalhar com arte e também com educação, pelo efeito que vi aquelas aulas de Arte causarem em mim. Cursei Licenciatura em Artes Visuais na UFRJ, onde futuramente também faria o meu mestrado. Concluí a graduação em 2010 e comecei a trabalhar como professor municipal no Rio de Janeiro. Em 2014, ingressei no IFRR”, contou.

Leandro explica que a constante produção artística contribui para o aperfeiçoamento da docência, pois, a partir das emoções que sente ao produzir uma obra de arte, compreende também o percurso formativo do aluno em busca de soluções para os desafios que lhe são impostos em sala de aula. “Uma orientação importante que recebi de alguns professores na graduação é que o professor de Artes visuais precisa ter uma produção artística. Essa orientação continua sendo importante para mim. Quando estou trabalhando em uma obra de arte, compreendo melhor o que estou ensinando aos meus alunos, e sou constantemente lembrado das sensações que eles têm em sala de aula quando precisam procurar soluções para seus trabalhos artísticos”, disse.

A trajetória de Leandro envolve participações em eventos científicos, culturais e artísticos da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (EPT), a exemplo do Congresso Norte e Nordeste de Pesquisa e Inovação (Connepi), no qual, na edição de 2014, teve seu trabalho “Exposição de pinturas, gravuras e desenhos representando brasileiros de diferentes gêneros, idades e etnias” premiado na categoria mostra profissional. Além disso, o professor tem participado como pesquisador em seminários e congressos nacionais e internacionais, sempre no campo da arte e da cultura.

Retratos de Roraima – As obras de Leandro foram destaque em recente exposição artística realizada no período de 20 a 30 de novembro, no Palácio da Cultura Nenê Macaggi, intitulada Retratos de Roraima. Para essa exposição foram levados retratos feitos com grafite, lápis pastel e aquarela.

“Eu sempre me interessei por retratos e, no meu tempo livre, sempre retratei parentes, amigos e pessoas que admiro. Para essa exposição, reuni retratos de moradores de Roraima de diferentes gêneros, idades, etnias, nascidos no estado e vindos de outros estados do Brasil e de outros países, como é o caso do jovem Josué, que nasceu na Venezuela. Realizei essas escolhas por dois motivos: porque o Estado de Roraima tem essa configuração em sua população e para que, ao visitar a exposição, todos se sentissem representados. A maioria dos museus, no Brasil e no mundo, tem retratos de pessoas brancas ricas. Nosso estado não tem apenas pessoas brancas ricas, e quero que, ao visitar a exposição, o público se sinta parte dela”, revelou Leandro.

O escritor e servidor do CBV Ricardo Dantas teve seu retrato com sua esposa, Yara Macuxi, representado por Leandro.  Segundo Dantas, a obra de arte “Ricardo e Yara” foi um marco na vida do casal. “A obra não apenas retrata um casal típico de Roraima, um migrante potiguar que se apaixona por uma indígena macuxi, mas também a beleza da releitura do talento artístico do Leandro Brito, que, de forma magnífica, transcendeu o conceito de arte com um símbolo metafísico do que significa Roraima”, disse.

Outra pessoa também retratada por Leandro foi a cantora e compositora Euterpe. Ela destaca a satisfação de ter seu retrato feito pelo artista e fala do significado da obra. “Ser retratada em uma pintura é eternizar a imagem com o olhar do artista, um retrato da época, do tempo, das tendências e tudo o que envolve o universo do pintor. O artista visual e professor Leandro Brito escolheu retratar pessoas que admira em sua exposição e me senti honrada em participar desse momento importante da sua trajetória como artista em Roraima. Seus retratos reuniram uma diversidade de personalidades, etnias, em cores vivas e vibrantes. Fiquei feliz em ver meu retrato na exposição e agradeço ao artista a homenagem!”, declarou.

Quem tiver interesse em conhecer melhor o trabalho do professor Leandro Brito pode acessar a rede social do artista: @arteleandrobrito.

 

Virginia Albuquerque
CCS/Campus Boa Vista
2/12/21